segunda-feira, 18 de junho de 2012

A menina, a avó e a maçã

A cena que presenciamos hoje, eu e a guardete que trabalha comigo, foi deprimente! 
Quase na hora de sairmos para o almoço, na porta do nosso local de trabalho, uma senhora se aproximou com uma menina de uns 7 ou 8 anos e perguntou pelo Conselho Tutelar. Informei que havia mudado de endereço. A senhora, então, começou a reclamar: disse que já não aguentava mais ser jogada de um lado para o outro, que haviam dito, na escola  onde  a  menina estudava -Raquel, esse era o nome da garotinha-, que o órgão ficava naquela rua. Argumentei que não mais. Havia muito que o atendimento passara a ser feito em outro local. 
- Eu não tenho dinheiro para ficar prá lá e prá cá. Na escola disseram que se a mãe dela fosse lá, estaria tudo resolvido. A mãe dela foi e disseram que não podia ser ela porque eu tenho a guarda da menina. Eu nem queria! Só fico com ela porque meu marido quer. Por mim já tinha devolvido ela pra mãe.
Ouvi aquilo indignada. Como uma avó rejeitava uma neta de apenas oito aninhos? Trocamos olhares, eu e a guardete que assistia à cena calada.
Disse à senhora que o local ficava perto e não precisaria de condução para ir até lá.
Ela então perguntou-me sobre o cartório. Respondi que só  abriria às 13 horas.
-Então vou lá no Conselho Tutelar e depois volto, retrucou a mulher.
Assim que ela saiu com a saltitante e irriquieta menina, a guardete disparou:
-Você viu o que ela falou da netinha? Como pode uma coisa dessas?
Fiquei feliz por minha amiga não ter ficado indiferente à cena e, ao mesmo tempo, triste por existirem pessoas tão pequenas e desprovidas de amor ao próximo. 
Por mais que a menina fosse uma peste, aquela mulher não tinha o direito de falar aquelas coias na frente da garotinha.
Passava das 15 horas quando avistei a mulher sentada do outro lado da rua. Raquel saltitava pela calçada cantando e correndo.
Chamei a garota. 
Ela atravessou a rua e sua vó a seguiu.
- Você gosta de maçã?
- Gosto, respondeu com olhar desconfiado.
Abri a bolsa e lhe entreguei a fruta.
Ela estendeu a mão e disse: preciso lavar.
-Não, eu já trouxe a maçã lavada de casa, disse eu, pode comer.
-Minha mão. Preciso lavar a mão, ela sorriu.
Levei-a até o banheiro, lavei suas mãozinhas tão pequeninas e perguntei:
-Você almoçou?
Ela balançou a cabeça afirmativamente.
Menos mau, pensei.
A avó agradeceu e as duas se foram.
Fiquei pensando o que a mãe de Raquel havia feito para perder a guarda da filha e porquê a avó não queria a menina, tão educadinha que até lava as mãos antes de pegar o alimento.
Ô mundo cão! 
Tanta gente querendo um filho e não tem, não é?

2 comentários. Para comentar clique aqui!:

Lidi Horácio disse...

Achei seu blog na blogosfera.
E adoreii!

Já estou te seguindo..
Me visite tbm
http://lidiepaulo.blogspot.com.br

beijocas
Ótima sexta-feira \º/

Nélia Silva Soares de Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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